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Despedida de Solteira de Claudinha Leitte
15.2.2007 - 11:24:10 - www.embelezados.com.br

Às vésperas do Carnaval, Claudia Leitte lança CD do Babado Novo enquanto cuida dos últimos preparativos para o casamento, em março, com o empresário Márcio Pedreira

texto Carla Felicia

O cansaço é tão grande que, nas últimas semanas, Claudia Leitte não tem conseguido nem mesmo se dedicar à leitura, um de seus passatempos favoritos. É só abrir um livro que o sono logo toma conta. Vocalista do grupo Babado Novo há seis anos, a cantora, de 26, já está acostumada com a agenda lotada de trabalho nessa época de Carnaval. Sabe que dormirá no máximo seis horas por noite e não terá tempo nenhum para momentos de diversão. Mas este ano, o mês de fevereiro está sendo triplamente desgastante. Além de preparar-se para a maratona de shows – da sexta-feira 16 à terça-feira 20 – ela está envolvida com o lançamento do quinto CD da banda, Ver-Te Mar, e corre com os últimos preparativos de seu casamento com o empresário Márcio Pedreira, de 27 anos, que acontecerá dia 7 de março, em Salvador. “São as três coisas que estão consumindo o meu juízo”, brinca Claudia.

Com tantos compromissos, só há poucos dias ela se deu conta de que vai subir no trio elétrico em clima de despedida. Este será seu último Carnaval de solteira. “E é o meu desejo que seja o último para a vida inteira”, afirma. “Estou casando por isso, acredito fortemente no amor eterno. Espero que seja meu último romance.” O noivo partilha desse romantismo e pensa da mesma maneira. “Não tem essa de casar por casar, que seja eterno enquanto dure, não. É para casar e não ter ninguém mais, o resto da vida”, diz Márcio. Os dois estudaram na mesma escola na adolescência, mas só se reencontraram em novembro de 2005, por intermédio de uma amiga em comum. Em dezembro, já estavam juntos. E com apenas seis meses de namoro, decidiram ficar noivos.

“Construímos uma cumplicidade que não tive em nenhum outro relacionamento”, explica a cantora, que teve namoros longos, de até cinco anos. “Já gostei muito de outras pessoas, mas o que sinto agora é diferente. Amo o Márcio, nunca amei ninguém antes.” O casamento, que ocorrerá na luxuosa Pousada Convento do Carmo, no Pelourinho, será celebrado por um pastor da Igreja Batista – embora não tenha religião, Claudia faz questão de ter a bênção de um “homem de Deus”. Mesmo atarefada, ela cuida pessoalmente de todos os detalhes da festa, para 250 convidados: da mesa de doces, que escolheu através da internet, aos convites, ilustrados com o casal de bonequinhos que os dois usam no pescoço em forma de pingente desde o início do namoro. Só não deu tempo ainda de decidir o destino da lua-de-mel, mas a Europa é o mais provável.

A expectativa é tanta que Márcio tem até sonhado com a cerimônia. “Fico imaginando como vai ser, como ela vai estar vestida”, diz. A cantora, por sua vez, admite que está muito emotiva e chora por qualquer motivo. Certo dia, num show, se dirigiu à platéia para agradecer e pedir desculpas pelo atraso de três horas. E disfarçou as lágrimas. “Escondi para não pensarem que sou abestalhada”, diverte-se. “Quando chegar mais perto do casamento, vou virar uma manteiga, me desmantelar toda. Só de pensar já sinto um frio na barriga.” Ela teve uma amostra da emoção que vai sentir na prova do vestido de noiva. “Meus olhos encheram de lágrimas”, conta Claudia, que pediu ao estilista Carlos Tufvesson um modelo de princesa – branco, é claro. Há alguns meses, Claudia e Márcio praticamente vivem juntos, na casa dela em Salvador, mas compraram um terreno e estão construindo outra, em Alphaville, condomínio de luxo da cidade.

A nova rotina de casada não deve alterar a agenda da cantora. “Ele aceitou casar comigo sabendo que trabalho vem em primeiro plano. Não me vejo fora do palco, nasci para cantar.” Mas isso não significa que terão que se afastar quando ela estiver em turnê pelo País. Sócio do tio numa empresa de limpeza urbana em Feira de Santana, interior da Bahia, Márcio acabou deixando o trabalho um pouco de lado para assumir papel importante na empresa da futura mulher, a Pedaço do Céu, que tem 15 funcionários, entre eles os pais de Claudia. “Comecei dando palpites e quando vi já estava dentro”, conta ele. Com isso, o empresário acompanha a noiva na maior parte das viagens que ela faz. “Não quero desgrudar dele nunca. Se pudesse vivia igual uma preguiça na árvore, agarrada, colada no pescoço dele”, exagera a cantora.

Assim como no ano passado, Márcio vai acompanhar – e fotografar – de perto as peripécias carnavalescas de Claudia, que canta seis horas seguidas por dia, em média, em cima do trio elétrico. Mas já foram 12, seu recorde, em 2005, por conta de um engarrafamento no bairro do Campo Grande. “Senti o baque. Quando acabou o Carnaval, estava morta de cansaço. Me obriguei a ficar sete dias sem falar, para recuperar a voz.” Três meses depois, ela sofreu com uma forte virose, que a fez perder oito quilos. “Fiquei com uma cabeçona enorme e um corpinho desse tamanho”, lembra a cantora, que conseguiu voltar ao peso normal, mas não estava satisfeita. “Senti que fiquei despeitada.” Por alguns meses, optou por usar sutiãs com enchimento para disfarçar. Mas uma amiga cirurgiã acabou convencendo-a de colocar próteses de silicone.

“Era contra, dizia que não ia botar nunca, que aquilo era um pêssego transgênico. Mas coloquei 175ml em cada seio e adorei o resultado”, conta ela, que também admite fazer uma lipoaspiração se houver necessidade. Por enquanto, não há nenhuma. Com 57 quilos em 1,67 metro de altura, não sobra nenhuma gordurinha em seu corpo escultural – que lhe garante o título de musa do Carnaval baiano, ao lado de Ivete Sangalo. “Adoro isso, faz bem. Às vezes fico pensando: ‘Será que sou mesmo?’. Não sou uma Gisele Bündchen, mas me acho bonita hoje em dia.” Na adolescência, não era bem assim. Menina politizada, líder de sala e do grêmio na escola, Claudia não era nada vaidosa. Não fazia as unhas, muito menos as sobrancelhas. Estava mais preocupada em ir para as ruas protestar contra alguma injustiça. “Fui meio revoltadinha. Discutia, criava polêmica com assuntos políticos.”

Seu figurino naquela época era formado por blusas largas por cima de calças compridas e era tão feio que até mesmo seu pai reclamava. Até que ela começou a carreira no Babado Novo. “Me cobria demais, era mais pudica. O palco me ajudou a me descobrir como mulher”, diz a cantora. “Fui ficando à vontade, me exibindo mais, mostrando mais as pernas. Hoje, me sinto mais segura, sensual. Continuo recatada, mas na medida.” Agora, por exemplo, ela não hesita mais em usar decotes e roupas curtas, por medo de ser considerada vulgar. “Gosto das minhas pernas, gosto do meu corpo, não tem nada de mau. Posso ser feminina, sem mostrar tudo.” O noivo jura que não tem ciúme, Claudia confirma. Porém, admite que é, sim, ciumenta. “Olho celular, pergunto várias coisas, quero saber de tudo. Mas não fico no pé, não encho o saco. Nunca falei: Não vá, não faça.”

Para ela, respeito e lealdade são os dois principais ingredientes de um casamento, mais até do que a fidelidade. Mas ela não perdoaria uma traição. “Se um namorado meu – Márcio não, porque não cogito essa possibilidade – me trair, vou perdoá-lo como ser humano. Mas jamais para estar de volta comigo, beijar na boca, abraçar”, afirma. “Para mim, acabou. Já tive essa experiência.” A sintonia entre o casal é tanta que Márcio concorda com a postura da noiva. “Também não me imagino fazendo isso, acho imperdoável. Quando não tem respeito, não tem mais nada. Vida de moleque não dá.” Por enquanto, filhos não estão nos planos de Claudia. “Não dá, estou vivendo um momento muito bom, feliz como mulher e cantora.” Carreira solo, como tantas cantoras de axé fizeram, também não. “Pode ser que amanhã eu queira, mas por enquanto estou satisfeita. A banda é minha, faço o que quero.”

Este foi um dos sonhos que o sucesso do Babado Novo lhe permitiu realizar. Hoje, ela é dona de um trio elétrico, instrumentos, equipamentos de gravação, praticamente um estúdio. Também já foi duas vezes a Paris, a cidade que sempre sonhou conhecer. E, acima de tudo, conquistou o carinho do público. “Não tem nada melhor do que subir no palco e ver todo mundo cantar. É uma emoção que não tem comparação.” Talvez tenha, no dia em que ela subir ao altar.


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